COMO RECUPERAR UM METEORITO.

           

            Assistir a passagem inesperada de um bólido, fenômeno que dura apenas, alguns segundos é um momento único, indescritível, algo tão emocionante que ninguém se preocuparia em anotar com precisão sua trajetória bem como dados fundamentais para a localização precisa e cálculo da órbita.

 

Localização

 

A observação precisa é crucial para a localização de um meteorito. As observações mais importantes se fazem durante o estágio de bólido, entretanto devido a erros de paralaxe não observamos a trajetória verdadeira, mas sim o percurso aparente observado do chão. A trajetória verdadeira ou percurso do bólido pode ser bem determinado se tivermos a observação também da altura e do ângulo de descida em pelo menos 2 pontos distantes algumas dezenas de km, ver figura 1.

 

 

Como não se é de esperar que os observadores estimem a altitude e o azimute do meteoro em graus, e como são as únicas testemunhas, geralmente tão emocionadas que têm seus depoimentos exagerados. Devemos ao entrevistar as testemunhas, leva-las ao local em que estavam na hora que assistiram o evento e faze-las recordar os detalhes mais importantes, tentar fazer se localizar pela posição de edificações, árvores ou montanhas, utilizar uma bússola para determinar o azimute do bólido

 

 

 

 

Geralmente o bólido é notado bem depois do apex, ponto da aparição no céu, mas avistado até o ponto de retardamento, quando o bólido é totalmente freado pela atmosfera, neste ponto muitas vezes ocorre uma ou várias detonações sendo o ponto final do bólido que escurece e o meteorito passa a cair como uma simples, ou várias, pedras escuras e em queda livre. A determinação deste ponto final  é de fundamental importância pois já se encontra mais baixo no ar, é o final da trajetória, em geral o meteorito é recuperado bem próximo a este ponto.

 

 

A área da queda do meteorito pode ser determinada plotando-se num mapa o azimute estimado da direção em que seguiu o bólido, deve-se pegar estes dados de diversas localidades distantes algumas dezenas de km em várias direções. Se uma dúzia ou mais de azimutes diferentes for plotado em um mapa as linhas irão se interceptar numa área elíptica, região na qual devemos procurar pelo meteorito (quadro 2). Após a recuperação da primeira amostra, não devemos encerrar a busca e sim procurar por outras amostras nas proximidades, pois a grande maioria dos meteoritos se parte e os fragmentos se distribuem nesta área chamada de elipse de dispersão.

 

 

 

O meteorito de Ibitira foi o único exemplo de meteorito brasileiro recuperado de maneira científica por um grupo de astrônomos amadores de Belo Horizonte